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Respiração Artificial

A parada respiratória pode levar à parada cardíaca e a morte em poucos minutos. Saiba como identificar uma insuficiência respiratória e realizar respiração artificial.

 

AVISO IMPORTANTE

As novas diretrizes de ressuscitação cardiopulmonar da American Heart Association, publicadas em 2010, não mais recomendam a realização da respiração artificial realizadas por socorristas leigos nos casos dos pacientes com perda de consciência e suspeita de parada cardíaca. Atualmente, recomenda-se a realização da compressão torácica imediata, sem checar a respiração.

Para os socorristas treinamos, a respiração artificial pode ser realizada após as compressões torácicas, porém não existe mais o passo de se checar a respiração com a manobra "ver-ouvir-sentir".

Mantemos este capítulo, por acreditarmos ser um passo importante nos pacientes com insuficiência respiratória, mas NÃO orientamos a realização por SOCORRISTAS LEIGOS em casos de suspeita de PCR.


 


 

 

As emergências respiratórias podem ser causadas por vários acidentes ou doenças. A insuficiência respiratória, que pode ser causada mais comumente por lesões traumáticas, infecções respiratórias ou sistêmicas (em todo o organismo), obstrução, asma e choque anafilático, representam o início de uma condição potencialmente fatal. Assim, torna-se crucial uma boa abordagem inicial para esses pacientes. Isso pode ser o determinante entre a sobrevida ou não.

As causas mais comuns de parada respiratória são: choque elétrico, afogamento, asfixia, inalação de gases tóxicos, traumatismo craniano e lesões torácicas, problemas cardíacos, acidente vascular cerebral (derrame), overdose de drogas e reações alérgicas. A parada respiratória constitui uma emergência médica real.

Os sinais e sintomas da insuficiência respiratória incluem (figura 1 e 2):

  • Padrões respiratórios anormais (dificuldade de tomar fôlego, respiração ofegante, lenta ou rápida).
  • Ruídos respiratórios incomuns, como chiado, roncos e sibilos.
  • Tontura, dor no peito, formigamento nas mãos e/ou pés.
  • Pele fria e úmida.
  • Coloração anormal da pele – palidez, vermelhidão ou cianose (pele azulada).

Quando o suprimento de oxigênio para os pulmões é interrompido, o coração continua batendo, e o oxigênio armazenado nos pulmões e no sangue continua a circular por um curto espaço de tempo. O coração para gradualmente de bater, em função da diminuição da chegada do oxigênio ao tecido do músculo cardíaco, resultando em parada cardíaca. As células do corpo têm um suprimento residual de oxigênio que as mantêm vivas durante um período curto de tempo, mesmo após a ocorrência de parada cardíaca e respiratória. As células cerebrais são as primeiras a morrer, geralmente 4 a 6 minutos depois de serem privadas de sangue oxigenado, dependendo da área do cérebro.

Sinais de insuficiência respiratória.

Figura 1 – Observe, ouça e sinta os sinais da insuficiência respiratória.

 

 

Sinais e sintomas da insuficiência respiratória.

Figura 2 – Sinais e sintomas da insuficiência respiratória.

 

Os primeiros passos no suporte básico de vida são a avaliação da vítima, a desobstrução das vias aéreas e o provimento de respiração de salvamento (manutenção da ventilação para manter as trocas gasosas sanguíneas nos pulmões).

A avaliação da vítima é realizada em 4 passos: (1) determinar ausência de resposta, (2) chamar pelo serviço de emergência, (3) posicionar a vítima e desobstruir as vias aéreas, e (4) determinar a ausência de respiração.

Para determinar a ausência de resposta, deve-se bater delicadamente no ombro da vítima e perguntar em tom audível: “Você está bem?”. Não estaremos procurando uma resposta, mas sim algum tipo de reação – contração das pálpebras, movimento muscular, virar-se em direção ao som e assim por diante. Se não houver resposta, a vítima não está responsiva.

O segundo passo é chamar o serviço de emergência. Esse é realizado discando o número 192 para o SAMU ou 193 para os bombeiros. Se uma vítima adulta não manifestar reação e o socorrista estiver sozinho, esse deverá chamar imediatamente a equipe de emergência. Se um bebê não manifestar reação e o socorrista estiver sozinho, deve-se fazer o atendimento de emergência durante 2 minutos antes de ativar o serviço de emergência. As informações prestadas ao serviço de emergência devem conter:

  1. Local com precisão, endereço e telefone de onde está chamando. Se estiver na rua, em local desconhecido, deve-se olhar em volta para verificar algum letreiro, estabelecimento comercial, cruzamento de ruas ou qualquer referência local.
  2. A natureza da emergência ou ferimento (por ex.: acidentes automobilísticos, desmaios, convulsões, etc.).
  3. O número de pessoas envolvidas, sexo e idade (aproximada).
  4. Nome do socorrista completo.

Se houver mais alguma pessoa no local, além do socorrista e da vítima, deve-se pedir a ela para ligar para o resgate, de forma que aquele possa concentrar-se no atendimento à vítima.

O terceiro passo é composto pelo posicionamento da vítima e a desobstrução das vias aéreas. O ideal é que a vítima esteja deitada de costas em uma superfície firme e plana. Deve-se colocar o braço da vítima ao longo do corpo e ajoelhar-se ao lado dela. Se houver necessidade de mover a vítima, a mesma deve ser rolada como um todo para que a cabeça, os ombros e o tronco não sejam torcidos (chamada em “bloco”), mantendo o alinhamento neutro da cabeça e do pescoço.

A parte mais importante da respiração de salvamento é a desobstrução das vias aéreas. Se a vítima estiver inconsciente, a língua pode relaxar, tombar para trás e bloquear as vias aéreas.

Para proceder à desobstrução das vias aéreas, deveremos colocar as pontas dos dedos de uma mão embaixo do queixo, colocando a outra mão na testa da vítima e aplicando pressão firme para trás (figura 3). Em seguida, trazer o queixo para frente, apoiando o mesmo e inclinando a cabeça para trás; ter cuidado para não comprimir as partes moles embaixo do queixo. Manter a pressão sobre a testa da vítima para que a cabeça continue na mesma posição. Manter também, se for o caso, a dentadura ou prótese dentaria no lugar, se possível, pois isso diminui a probabilidade de que os lábios obstruam a respiração.

 

Manobra para abertura das vias aéreas.

Figura 3 – Manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo para desobstrução das vias aéreas.

 

Essa manobra deve ser realizada com extrema cautela em vítimas de acidente, devido a grande chance de realizar lesão na coluna cervical. A manobra de estender a cabeça para trás só estará indicada na absoluta certeza que a vítima não está respirando! A manobra de anteriorização da mandíbula para abertura das vias aéreas deve ser realizada apenas pelo socorrista treinado, devido sua dificuldade. Em caso de insucesso, todos devem proceder com a manobra de inclinação da cabeça.

 

Devemos ser especialmente cuidadoso com as crianças. Estender demais a cabeça e o pescoço da criança pode causar o fechamento da traquéia. Nunca inclinar a cabeça de um bebê além da posição neutra; em crianças maiores, a cabeça pode ser ligeiramente inclinada para trás.

Se houver líquidos (como vômito) na boca, envolva o dedo médio e indicador em um pano e remova o líquido. Se você puder ver os corpos estranhos sólidos (como pedaços de dentes), retire-os rapidamente com o dedo indicador. Estas manobras devem ser realizadas com extrema cautela, para não empurrar o objeto mais para o fundo.

Por fim, o socorrista deve observar se há ausência de respiração. Quando as vias aéreas estiverem desobstruídas, é importante observar se a vítima está respirando.

Colocar, então, o ouvido perto da boca e do nariz da vítima durante 5 a 10 segundos e (figura 4):

  • Ver se o tórax sobe e desce.
  • Ouvir se o ar é expelido durante a exalação.
  • Sentir a respiração contra a face.

Manobra ver-ouvir-sentir. Não mais indicada nos casos de PCR (diretriz de 2010).

Figura 4 – Avaliando a respiração por 5 a 10 segundos (ver, ouvir e sentir). Se a vítima estiver respirando, devem-se manter as vias aéreas desobstruídas e colocá-la na posição de recuperação. Essa posição ajuda na desobstrução das vias aéreas tanto de vítimas conscientes como inconscientes. Se suspeitar de trauma ou lesão na coluna cervical, não mova a vítima. Lembrar que este passo não é mais recomendado nos casos de pacientes com parada cardiorrespiratória.

 

Para colocar a vítima na posição de recuperação, devemos rolá-la para o lado, movendo a cabeça, os ombros e o tronco simultaneamente, sem torcer ou tornar a locomoção desproporcional entre as diferentes partes do corpo. Em seguida, flexionar uma das pernas da vítima e colocar a parte inferior do braço atrás das costas. Então, flexionar a parte de cima do braço, colocando a mão embaixo da face. Se a vítima não estiver respirando, prepare-se para realizar a respiração de salvamento.

Se for constatado que a vítima não está respirando, devemos mantê-la na posição de decúbito dorsal (barriga para cima) e, assim, começar a ministrar a respiração de resgate. O método mais eficiente, se for possível utilizá-lo, é o “boca a boca”; o socorrista poderá utilizar uma barreira durante a respiração boca a boca para impedir a transmissão de doenças infecciosas (insuflador bucal – um dispositivo descartável, por ex). Se a boca da vítima não puder ser aberta, se estiver gravemente ferida ou caso não seja possível formar uma vedação hermética ao redor da boca, poderemos usar a respiração boca-nariz.

 

RESPIRAÇÃO BOCA A BOCA

A respiração boca a boca é o modo mais simples, rápido e eficaz de realizar a respiração de salvamento, devendo ser usada sempre que possível.

Antes de começar, devemos nos certificar de que a posição da vítima está adequada e as vias aéreas desobstruídas, conforme descrito anteriormente. Então, vamos proceder da seguinte maneira (figura 5):

  1. Usar o polegar e os dedos da mão que está inclinando a testa da vítima para fechar o nariz;
  2. Abrir bem a boca e cobrir toda a boca da vítima com a do socorrista, formando uma vedação hermética. Em seguida, soprar o ar na boca da vítima de forma lenta e uniforme por aproximadamente 1 segundo até ver o tórax subir. Então, deve-se afastar a boca e observar o tórax descer; sentindo a respiração da vítima contra a face.
  3. Caso não se observe o tórax subir e descer na primeira tentativa, reposicionar as vias aéreas e tentar outra vez (a maior dificuldade durante o fornecimento de respiração artificial é o posicionamento inadequado da cabeça e do queixo).
  4. Voltar a cobrir a boca da vítima com a do socorrista, formando uma vedação hermética, e soprar até ver o tórax subir. Afastar novamente a boca e observar o tórax descer.
  5. Após as duas primeiras ventilações boca a boca, verificar se a vítima apresentará respiração espontânea ou alguma forma de reação. Caso a ausência de respiração persista, deve-se considerar esse paciente em parada cardiorrespiratória e iniciar imediatamente as manobras de compressões torácicas até a chegada do resgate.

Respiração boca a boca.

Figura 5 – Respiração artificial boca a boca visualizando a elevação do tórax durante a inspiração.

 

RESPIRAÇÃO BOCA-BARREIRA

Existem dois tipos de dispositivos de barreira, confeccionados em plástico transparente, que podem ser usados na respiração boca a boca para protegê-lo da transmissão de doenças infecciosas.

  • O protetor facial cobre a boca da vítima; alguns modelos têm uma passagem de ar curta que apresenta um filtro contra secreções biológicas. Deve-se soprar através do aparelho para fornecer as ventilações; uma vez que o protetor facial cobre somente a boca, é necessário ainda fechar as narinas da vítima, apertando-as.
  • A máscara facial cobre o nariz e a boca da vítima, criando uma vedação hermética; as ventilações são fornecidas através de uma válvula unidirecional e, portanto, o ar exalado da vítima não entra em sua boca.

Caso decida-se por utilizar um dispositivo de barreira durante a respiração boca a boca, deve-se estender o pescoço e levantar o queixo da vítima. Coloca-se então o dispositivo sobre a boca ou sobre a boca e o nariz da vítima, dependendo do caso, certificando-se de que a vedação está hermética. Se estiver usando um protetor facial, não se esquecer de fechar as narinas da vítima, apertando-as. Assim que o dispositivo estiver colocado, fornecer a respiração de salvamento conforme descrito anteriormente.

 

RESPIRAÇÃO BOCA-NARIZ

Utiliza-se a respiração boca-nariz quando:

  • Não se conseguir desobstruir a boca da vítima.
  • A boca da vítima for tão grande que o socorrista não consegue vedá-la com a boca.
  • A vítima não tiver dentes, o que interfere na garantia de uma boa vedação.
  • A vítima tiver lesões na boca.

Nesta manobra, ao abrir as vias aéreas estendendo a cabeça para trás e elevando o queixo, é necessário vedar a boca da vítima para que não haja escape de ar.

Deve-se colocar, então, a boca do socorrista ao redor do nariz da vítima, certificando-se de uma boa vedação, aplicando a respiração por um segundo. É necessário ver o tórax subir durante a respiração. Se conseguir êxito, deve-se manter a boca da vítima aberta durante a expiração, o que proporcionará uma exalação mais profunda.

Continuam-se os ciclos de respiração de salvamento conforme descrito na respiração boca a boca.

 

VENTILANDO BEBÊS E CRIANÇAS

Se a vítima for um bebê ou uma criança com menos de 8 anos, alguns cuidados peculiares deverão ser tomados. No caso de bebês, deve-se manter sempre uma posição neutra da cabeça, apoiando a cabeça e o pescoço da vítima em uma das mãos. Quando se trata de crianças, a cabeça pode ser levemente inclinada para trás.

A garganta é muito mais flexível em bebês ou crianças, e inclinar a cabeça muito para trás pode obstruir as vias aéreas. Com a boca do socorrista, devemos cobrir o nariz e a boca do bebê com uma vedação hermética (figura 6). Em seguida, devemos fornecer um sopro de ar pequeno e lento – apenas o suficiente para fazer o tórax subir. Vira-se, então, a cabeça para o lado e observar se o tórax desce, ouvindo a respiração da criança e sentindo o ar exalado contra a face. Se o primeiro sopro não movimentar o tórax da criança para cima, devem-se reposicionar as vias aéreas e dar um segundo sopro. Após o segundo sopro efetivo, caso não haja resposta da criança como respiração espontânea ou ausência de movimentos, deve considerá-la em parada cardiorrespiratória, iniciando-se imediatamente as compressões torácicas até a chegada do resgate.

  Ventilação artificial em bebê.

Figura 6 – Respiração artificial em bebê usando a boca para vedar a boca e o nariz do bebê.  

 

É isso aí pessoal, agora todos já sabem as noções básicas da respiração artificial. Não subestimem, na prática é mais difícil que parece, então o treinamento é essencial... boa sorte!

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