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Parada Cardiorrespiratória

Aprender ressuscitação cardiopulmonar é obrigatório a todos aqueles que querem aprender primeiros socorros. Saiba como agir de forma rápida e eficiente em um caso de parada cardíaca.

AVISO IMPORTANTE

Este material foi escrito para os socorristas leigos e sem treinamento que prestam atendimento ao paciente com parada cardiorrespiratória, sendo enfatizado a técnica hands only (somente mãos), conforme as últimas orientações da American Heart Association publicadas em 2010.

Se você é treinado para realizar RCP ou profissional de saúde, sua técnica empregada será diferente, podendo ser realizado as ventilações após cada sequência de compressão, devendo-se manter uma relação de 30:2. Mas atenção, agora a sequência será: C – A – B: compressão – abertura das vias aéreas – respiração. Não existe mais o passo de “ver-ouvir-sentir”. Para mais informações, entre em contato através do e-mail contato@lifesavers.com.br.



 

Parada cardíaca é uma condição na qual o coração pára de bater quando o músculo cardíaco não recebe o sangue – e, conseqüentemente, o oxigênio e os nutrientes – de que necessita. Quando um adulto subitamente perde a consciência, este adulto pode estar em parada cardíaca. O fluxo sanguíneo ao cérebro e corpo é interrompido. Se o coração não puder bombear sangue ao cérebro, a pessoa perde a consciência. Quando a parada cardíaca é acompanhada de parada respiratória é estabelecida a parada cardiorrespiratória, devendo-se imediatamente ser instituído a ressuscitação cardiopulmonar (RCP).

O principal objetivo da RCP é realizar a compressão torácica até que uma equipe de emergência treinada possa oferecer suporte cardíaco avançado. Quanto menor o tempo entre a parada cardíaca e o início da RCP, maiores serão as chances de sobrevivência da vítima. Pesquisas mostram que os pontos cruciais para a sobrevivência em caso de parada cardíaca são (figura 1):

  • Acesso rápido à vítima por socorristas treinados em RCP.
  • Rápida aplicação da RCP.
  • Rápida desfibrilação com desfibrilador externo automático (DEA).

 

Elo de sobrevida da American Heart Association

Figura 1 –A corrente de sobrevivência da American Heart Association em vítimas adultas. Os 5 elos ou ações na corrente de são: 1) rápido reconhecimento da situação de emergência e ativação da equipe do sistema de atendimento de emergência, 2) RCP imediata, 3) desfibrilação imediata, 4) suporte avançado imediato e 5) suporte após-PCR.

 

SUPORTE BÁSICO DE VIDA

A RCP é apenas uma parte do suporte básico de vida, termo usado para descrever os procedimentos de primeiros socorros necessários para preservar a vida em uma situação de emergência. Os principais passos na sequência do suporte básico de vida preconizados pela American Heart Association são:

  1. Determinar a responsividade
  2. Ativar o serviço de resgate
  3. Fazer compressões torácicas efetivas

 

NÚMERO 1 – DETERMINAR A RESPONSIVIDADE

Para determinar a ausência de resposta, encoste nos ombros da vítima de forma enfática e pergunte em tom audível “Você está bem?”. Você não está procurando uma resposta, mas sim algum tipo de reação – contrações das pálpebras, movimento muscular, virar-se para o som e assim por diante. Se não houver resposta a vítima não está responsiva (figura 2). O paciente com desconforto respiratório, também chamado de gasping também deve receber os cuidados iguais aos pacientes não responsivos.

Nas novas diretrizes da American Heart Association em 2010, não é considerado um passo formal a detecção da responsividade. Eles consideram este passo um ato implícito ao prestar socorro. É enfatizado apenas 2 passos: chamar ajuda e compressão torácica efetiva, chamado de hands only – somente mãos (para socorristas leigos não treinados); ou 3 passos: chamar ajuda, compressão torácica efetiva e ventilação (para socorristas leigos treinados ou profissionais de saúde).


  

 Figura 2 – Determinando a responsividade.

 

NÚMERO 2 – ATIVAR O SERVIÇO DE RESGATE

Se a vítima não estiver responsiva, ative o serviço de resgate imediatamente. Em grande parte do território nacional já existe o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) acionado pelo número 192. A pessoa que faz a chamada deve fornecer o local da emergência, o número do telefone de onde está chamando, o que aconteceu, o número de vítimas envolvida (se houver mais de uma), que cuidados de emergência estão sendo ministrados e qualquer outra informação solicitada.

 

NÚMERO 3 – REALIZANDO AS COMPRESSÕES TORÁCICAS

As compressões torácicas ajudam o sangue a circular com base em dois princípios: primeiro, elas elevam a pressão na cavidade torácica, fazendo o coração bombear; segundo, elas fornecem compressão direta no próprio coração.

Para as compressões torácicas externas, a vítima deve estar na posição de decúbito dorsal (deitada de costas), sobre superfície firme e plana. As roupas da vítima não impedem você de fornecer compressões torácicas eficazes, mas podem impedir o posicionamento correto das mãos; se necessário, afaste as roupas.

Ajoelhe-se perto dos ombros da vítima, a distância entre seus joelhos deve ser a mesma que entre seus ombros.

 

 

POSICIONANDO AS MÃOS

O posicionamento correto das mãos sobre o tórax da vítima é essencial para se evitar a ocorrência de lesões internas decorrentes das compressões torácicas e para a perfeita efetividade da manobra. Suas mãos devem ficar sobre a extremidade inferior do esterno. Para esta posição, trace uma linha imaginária entre os mamilos, o ponto médio localiza-se no exato local que sua mão deverá posicionar-se para as compressões torácicas. Nesse ponto, o esterno é flexível – é possível comprimi-lo sem fraturá-lo.

Coloque o “calcanhar da mão” no esterno com a outra mão por cima, com os dedos de ambas as mãos apontando na direção oposta à sua. Entrelace os dedos ou estenda-os, mantendo-os afastados do tórax da vítima (figura 3, 4 e 5).

 

Posicionamento correto das mãos.

Figura 3 – Posicionamento correto das mãos para as compressões torácicas na RCP.

 

Posicionamento incorreto das mãos.

Figura 4 – Posicionamento incorreto das mãos para as compressões torácicas na RCP. Pode danificar a caixa torácica e os órgãos adjacentes.

 

Colocação alternativa das mãos.

Figura 5 – Colocação alternativa das mãos para as compressões torácicas na RCP.

 

REALIZANDO AS COMPRESSÕES TORÁCICAS

Para fazer as compressões torácicas, proceda da seguinte forma (figura 6, 7, 8 e 9):

  1. Com as mãos corretamente posicionadas, endireite os braços deixando-os retos, firme os cotovelos e posicione os ombros diretamente acima das mãos. Seu nariz, ombros e cicatriz umbilical devem estar quase alinhados em uma reta. Nessa posição, os impulsos recairão diretamente sobre o esterno da vítima.
  2. Pressione direto para baixo, usando o peso da parte superior do corpo para comprimir o esterno da vítima – aproximadamente 4 a 5 cm – o que forçará o sangue do coração. Pode ser necessário comprimir mais o tórax de uma pessoa obesa ou musculosa e menos em uma pessoa muito magra ou pequena.
  3. Libere completamente a pressão para permitir o retorno do tórax e que o sangue volte para o coração. Deixe o tórax voltar para a posição normal após cada compressão, mas nunca retire as mãos do esterno.
  4. Mantenha as mãos sobre o tórax da vítima durante toda a compressão – não as levante, nem troque de posição. As compressões torácicas devem ser fortes, rápidas e rítmicas; não deve haver movimentos bruscos, golpes ou movimentos de parada-início durante o procedimento.
  5. Faça compressões torácicas ao ritmo de no mínimo 100 compressões por minuto.

 

Figura 6 – Faça as compressões torácicas adequadamente.

 

Figura 7 – Compressão forte e rápida com aprofundamento de 4 a 5 cm do esterno.

 

Figura 8 – Compressão torácica durante RCP.

Figura 9 – A técnica da RCP difere para adultos, crianças e bebês.

 

REVISANDO

Se estiver sozinho, determine a ausência de resposta, ative o serviço de resgate (SAMU 192) e inicie as manobras de compressões torácicas:

  1. Posicione as mãos corretamente sobre o tórax da vítima na extremidade inferior do esterno (localizada como ponto médio na linha imaginária traçada entre os mamilos).
  2. Faça no mínimo 100 compressões torácicas fortes e rápidas. Conte em voz alta para manter o controle das compressões.
  3. Aplique as compressões até a chegada do DEA (desfibrilador esterno automático) ou que a vítima comece a se mexer ou até os profissionais de saúde do serviço de emergência assumirem o caso.

 

O QUE É UM DEA?

O desfibrilador externo automático (DEA) é um dispositivo médico computadorizado. Um DEA pode examinar o ritmo cardíaco de uma pessoa. Ele pode reconhecer um ritmo que necessite de um choque e pode avisar ao socorrista quando um choque é necessário. O DEA usa mensagens sonoras, luzes e mensagens de texto para indicar ao socorrista os passos a tomar (figura 10).

Figura 10 – Desfibriladores externos automáticos (DEA) de diversos modelos (modelo em vermelho apenas para treinamento).

 

Os DEA são muito precisos e fáceis de usar, Os socorristas leigos, com poucas horas de treinamento, podem operar um DEA de maneira segura. Quando um adulto não responder, você deverá telefonar para o serviço de resgate (SAMU 192) e pedir um DEA; depois deve iniciar a RCP. Se a vítima adulta não responsiva não tiver respiração normal, você deve usar um DEA. A RCP imediata e o uso de um DEA em poucos minutos darão à vítima a melhor chance de sobrevivência.

Hoje, no estado e na cidade de São Paulo é lei a obrigatoriedade de manter DEA em aeroportos, shopping centers, centros empresariais, estádios de futebol, hotéis, hipermercados e supermercados, casas de espetáculos e locais de trabalho com concentração acima de 1.000 pessoas ou circulação média diária de 3.000 ou mais pessoas, os clubes e academias com mais de 1.000 sócios, as instituições financeiras e de ensino com concentração ou circulação média diária de 1.500 ou mais pessoas (Lei Municipal N. 14.621, de 11 de dezembro de 2007 e Lei Estadual N. 12.736, de 15 de outubro de 2007).

Há muitas marcas diferentes de DEA. Mas você usará os mesmos passos básicos para operar todos os DEA. Você liga o DEA. Então, você aplica ao tórax despido da vítima as 2 pás auto-adesivas. Depois que o DEA estiver conectado à vítima, ele analisa o ritmo cardíaco para ver se é necessário um choque. Você deve “afastar todos” da vítima. Isso significa que você deve ter certeza de que ninguém toque na vítima enquanto o DEA estiver analisando o ritmo cardíaco. O DEA pode lhe indicar para aplicar um choque (“choque recomendado”). Uma vez que você afastou todos da vítima e se assegure que ninguém a esteja tocando, você pressiona o botão CHOQUE para fornecer o choque. Depois do choque, o DEA mandará você continuar as manobra de RCP com as compressões torácicas, sendo que após de 2 minutos ele irá avisá-lo para parar a RCP e irá novamente analisar o ritmo cardíaco para verificar a necessidade de outro choque. Algumas vezes o DEA avisa “choque não recomendado”. Isto pode significar que a vítima tem um ritmo normal (caso ela esteja respirando, tossindo ou movimentando) ou que o tratamento da parada cardíaca não seja o choque, sendo necessário imediatamente as compressões torácicas.

 

PASSOS PARA O USO DO DEA

 

  1. Ligar o DEA.Você faz isso pressionando um botão ou abrindo a tampa do DEA. Então, o DEA lhe indicará o que fazer a seguir. Caso você esteja com outra pessoa além da vítima, continue a RCP enquanto o outro socorrista aplica as pás auto-adesivas na vítima.
  2. Aplicar as pás auto-adesivas no adulto.Remova a roupa do tórax da vítima. Abra o pacote das pás para adultos do DEA e retire o plástico de proteção das mesmas. Aplique o lado adesivo das pás diretamente na pele do tórax da vítima. O desenho no pacote das pás mostra onde colocá-las. Para a maioria dos DEA, você coloca uma pá na parte superior direita do tórax, abaixo da clavícula da vítima. Você colocará esta pá justamente à direita do esterno. Coloque a outra pá do lado esquerdo do tórax da vítima, uns poucos centímetros abaixo da axila esquerda (figura 11).
  3. “Afastar” todos do paciente e permitir que o DEA analise o ritmo cardíaco.Quando você “afasta” todos da vítima, você se assegura de que ninguém a esteja tocando. Então, o DEA pode analisar o ritmo cardíaco. Alguns DEA indicam para apertar um botão para iniciar a análise. O DEA lhe indica, a seguir, se é necessário um choque. O DEA usará uma mensagem sonora ou uma luz que se acende de forma intermitente ou uma mensagem de texto.
  4. “Afaste” todos do paciente e aperte o botão CHOQUE.Se o DEA fornecer uma mensagem de “choque recomendado”, “afaste” todos da vítima e depois pressione o botão de CHOQUE. Quando o choque é fornecido, os braços e outros músculos da vítima se sacudirão. Reinicie imediatamente as manobras de RCP com as compressões torácicas (na velocidade 100 compressões/minutos) até o momento do DEA indicar para se afastarem da vítima para nova análise do ritmo cardíaco (em geral, após 2 minutos).

 

Lembre-se, deixe o DEA aplicado no tórax da vítima até que os socorristas do serviço médico de resgate cheguem. Você deve deixá-lo aplicado mesmo se a vítima tiver retornado à respiração ou se movimentando.

Figura 11 – Uso do desfibrilador externo automático (DEA).

 

SITUAÇÕES ESPECIAIS COM O DEA

 

Água:não aplique um choque se a vítima estiver molhada ou deitada na água. A água pode fazer com que o choque flua sobre a pele de uma pá a outra. Se isto acontecer, a energia não vai para o coração. Nesta situação, mova a vítima para fora da água. Limpe seu tórax rapidamente com uma toalha, antes de aplicar as pás. Você deve manter uma toalha pequena no estojo portátil do DEA. Se a vítima estiver deitada em uma pequena poça de água, mas seu tórax estiver seco, você pode aplicar os choques.

Adesivos medicamentosos:você não deve colocar as pás do DEA sobre um adesivo medicamentoso. O adesivo pode bloquear parte do choque, de modo que o mesmo não seja eficaz. Além disso, podem ocorrer queimaduras. Neste caso, se a vítima tiver um adesivo medicamentoso no lugar onde você deve colocar a pá do DEA, retire-o e limpe o tórax, antes de colocar a pá.

Marca-passo ou desfibrilador implantado:algumas vítimas têm um marca-passo ou desfibriladores implantados. Estes dispositivos produzem uma protuberância dura sob a pele do tórax. Você não deve colocar uma pá do DEA sobre esta protuberância, porque ela bloqueará o fornecimento da energia do choque no coração. Se você observar esta protuberância, coloque a pá pelo menos 2,5 cm distante.

Muito pêlo no peito: se a vítima tiver muito pêlo no peito, as pás auto-adesivas podem aderir ao pêlo, em vez de na pele do tórax. Se isto acontecer, pressione firmemente as pás. Se isto não resolver o problema, puxe as pás rapidamente com a intenção de depilar o local e limpe o tórax (certifique-se que o DEA possui outro par de pás). Se ainda houver pêlo no lugar onde você colocará as pás, raspe a área com a lâmina do estojo portátil do DEA. Depois, coloque um novo conjunto de pás.

 

RESUMO DO SUPORTE BÁSICO DE VIDA PARA O SOCORRISTA LEIGO SEM TREINAMENTO

 

RESUMO DO SUPORTE BÁSICO DE VIDA PARA O SOCORRISTA LEIGO COM TREINAMENTO E PROFISSIONAIS D SAÚDE

 

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